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Cidade começa a atuar na prestação de serviços de
informática para grandes multinacio-nais.
Londrina entrou definitivamente
em um mercado mundial que movimenta US$ 50 bilhões por ano, dando um salto na
produção industrial e na geração de empregos. Com a criação da empresa Londrina
Information Technologies (LINT), a cidade começa a atuar no setor de prestação
de serviços de informática que são contratados por grandes empresas
multinacionais fora de suas sedes, o chamado offshore outsourcing (terceirização).
A LINT, empresa de tecnologia que produz serviços a cliente que podem estar em
qualquer lugar do mundo, é fruto da iniciativa de empresários londrinenses, com
o apoio da prefeitura. Os investimentos estão sendo feitos em ritmo acelerado
em suas primeiras parcerias estratégicas. Uma delas é com a alemã SAP, empresa
líder mundial no mercado de software de gestão que atende a grandes grupos,
como o Itaú e a Petrobrás. Há ainda outros dois clientes internacionais: uma
empresa indiana e outra norte-americana, cujos nomes não podem ser divulgados
devido a um contrato de sigilo.
O trabalho da LINT se baseia em três frentes: no recrutamento de profissionais
de alto nível, fluentes em inglês, para treinamento de três meses nos EUA; o
recrutamento e treinamento de estudantes das universidades da região, para
compor a base da pirâmide; e a implantação de infra-estrutura, que está sendo
instalada no piso superior do edifício da ASK, empresa de call center da
Sercomtel, na zona oeste de Londrina.
Até o final do próximo ano a empresa deverá ter 800 profissionais trabalhando
em projetos relacionados a três grandes clientes. Esse número deve chegar 5 mil
novas vagas a médio prazo.
''Sempre acreditamos ter uma empresa de tecnologia da informação. É um processo
que vem acontecendo nos últimos dois anos e que mostra o nível de maturidade
que a cidade atingiu, pelos estudantes que tem, pelas instituições de ensino e
pesquisa, pelo ambiente favorável para negócios'', afirma um dos investidores,
o empresário George Hiraiwa, presidente do Conselho da LINT. ''A confluência
desses fatores, mais um cenário favorável de mercado, fez com que Londrina
entrasse nesse jogo'', completa.
Exemplo indiano
A LINT é uma empresa fundada com capital local, de R$ 6 milhões, investidos por
empresários da cidade. Além de George Hiraiwa, os empresários Valter Orsi e
José Augusto Rapcham comandam o grupo de dez investidores.
Segundo o presidente da empresa, Orestes Hypólito, foi a Índia quem fez
explodir esse mercado, há 15 anos, por causa das vantagens competitivas que
oferece, como baixo custo de mão-de-obra. Agora, a ''bola da vez'' é o Brasil,
e Londrina está aproveitando esse bom momento.
''Uma vantagem do Brasil é que, em relação aos EUA, onde há grande demanda por esse
tipo de serviço, o fuso horário é bem menor. Temos ainda uma afinidade cultural
maior com os norte-americanos, em relação aos países do Oriente, o que também
conta'', explica Hypólito, lembrando que nossos técnicos têm uma formação mais
eclética, o que facilita a comunicação e uma adaptação melhor no
desenvolvimento do sistema pretendido.
Em relação a
Londrina, o diferencial da cidade conta bastante, segundo
Hypólito. ''A cidade tem custo competitivo, está bem situada geograficamente,
tem estrutura universitária muito forte e capacidade de atender. Também tem
perfil sócio-econômico adequado'', explica.
Mas, segundo ele, o mais importante é o trabalho de longo prazo desenvolvido
pela Associação de Desenvolvimento Tecnológico (Adetec) para mostrar que esse
momento iria acontecer. ''Foi uma visão de futuro que preparou a cidade para
isso, articulando os setores envolvidos, como os empresários, as universidades
e a administração municipal'', destaca o presidente da LINT. ''Faltava aparecer
um cliente, e eles começaram a aparecer'', completa.
Esse ambiente de negócios já atraiu e continua atraindo grandes empresas. O
fato é que a LINT já nasceu com empresas-âncoras (como a SAP) e com grande
interesse de outras multinacionais. É uma indústria que não precisa usar rodovias,
não polui o meio-ambiente, só usa informação. E os recursos vêm de fora, em
dólares.
A empresa também está formando nova categoria de profissionais em Londrina.
Além dos bons salários - que ficam em uma média de R$ 3 mil, podendo chegar a
R$ 10 mil - cria-se a oportunidade aos jovens, que têm a chance de aprimorar o
inglês e se abrir para o mercado mundial. (Matéria Publicada na Folha de Londrina - Especial - data 10/12/07)
Aurélio
Albano
Especial para a FOLHA
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