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Aquecimento no setor imobiliário se deve ao
crédito fácil, moeda estável, aumento da renda familiar e incremento da
poupança
Londrina é apontada em recente pesquisa, entre outros municípios
do País, com a maior quantidade de lançamentos imobiliários em relação ao
número de habitantes. A cidade tem mais de 20 empreendimentos em construção com
oferta de mais de 2.260 unidades - que geram um Volume Geral de Vendas (VGV)
total de R$ 506 milhões em vendas. A cidade chega a comercializar 12% de
imóveis por mês - ou seja - 300 unidades. O levantamento aponta que o setor
deve dobrar estes números nos próximos 24 meses.
A pesquisa foi elaborada pela Companhia Província de Crédito Imobiliário, com
sede no Rio Grande do Sul, e que está abrindo uma unidade de negócios em
Londrina. O diretor de Relações com o Mercado da Província, Camilo Fortuna
Pires, disse ontem para empresários londrinenses do setor que o mercado de
unidades de médio e alto padrão irá se expandir. ''A oferta destes imóveis em
Londrina vai dobrar nos próximos vinte quatro meses'', afirmou. Segundo ele,
esse crescimento se deve em grande parte à estabilização da economia, crédito
fácil, aumento de renda das famílias e ao incremento da poupança. Fortuna
também é membro do Conselho da Associação Brasileira de Crédito de Poupança.
O déficit no Sul do Paraná, exemplifica o diretor, é da ordem de 20% em relação
ao índice nacional, representando cerca de 1,5 milhão de imóveis. O mercado de
imóveis de médio e alto padrão representa 6% em Londrina, próximo do número
nacional. Nesta faixa de mercado, segundo a pesquisa, compram imóveis pessoas
que possuem renda acima de 10 salários mínimos.
Os apartamentos para este público exigente, segundo o estudo, possuem três
quartos, com metragem média de 92 metros quadrados.
O custo médio por unidade não sai por menos de R$ 233 mil, representando 82% da
oferta de apartamentos existentes em Londrina. Em comparação aos apartamentos
de 2 dormitórios, com o mesmo padrão, a metragem é de 60 metros quadrados
e seu valor médio é de R$ 120 mil por unidade. ''Mas há uma demanda reprimida
por apartamento de um dormitório, devido ao grande número de pessoas solteiras
e Londrina ser uma cidade com muitas universidades'', acrescenta Fortuna.
Em relação aos imóveis usados, o mercado se mostra bastante aquecido e o centro
da cidade é a região com maior oferta. A pesquisa também aponta que há um
déficit de 9 mil unidades para imóveis com valor de até R$ 80 mil. ''Este,
provavelmente, será o foco de construtoras de capital aberto nos próximos
meses'', estima Fortuna.
Ele informou que devem ser destinados para o Sul do País R$ 115 milhões de
investimentos para construção de novas unidades. Deste total, somente Londrina
receberá R$ 10 milhões. Todo este aporte de dinheiro será feito por bancos e
companhias imobiliárias, segundo Fortuna, com prazo de até 30 anos para o
proprietário pagar o imóvel e a possibilidade de financiar até 80% da dívida.
(Edson
Pereira Filho – repórter local da Folha de São Paulo – Seção :
Economia)
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